Escritor Paulo Tarso Barros


Resumo biográfico


PAULO TARSO BARROS (natural de Vitória do Mearim – MA, nasceu no dia 29 de agosto de 1961 e desde 1980 é radicado no Amapá). É professor licenciado em Letras pela UNIFAP, funcionário público do grupo magistério da Secretaria de Estado da Educação, casado, duas filhas, já publicou diversos livros, dentre contos, poemas e literatura de cordel, centenas de crônicas e artigos na imprensa do Amapá, Pará, Maranhão, São Paulo, Pará e Rio de Janeiro. Fez a editoração de mais de trinta obras. É membro da Academia Arariense-vitoriense de Letras (AVL, onde ocupa a Cadeira de nº 31, cujo patrono é o escritor maranhense Ribamar Galiza), da União Brasileira de Escritores (UBE – São Paulo), da Associação Nacional de Escritores – ANE, presidente da Associação Amapaense de Escritores – APES e membro do Júri Nacional do Prêmio Multicultural O Estadão, de São Paulo. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura, do Conselho Diretor da Fundação de Cultura e chefe da Divisão de Editoração da Fundação de Cultura. É funcionário da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda e ex-diretor da instituição.

· Curso de Pós-Graduação Lato-Sensu de Especialização Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
Nome da Instituição: Faculdadades Integradas de Jacarepaguá - FIJ
· Trabalho de Conclusão do Curso: Apontamentos de literatura amapaense com ênfase aos poetas da primeira geração (2009)

· Curso de Pós-Graduação Lato-Sensu de Especialização em metodologia do Ensino de Redação, Leitura e Gramática de Língua Portuguesa (em andamento)
Nome da Instituição: Instituto Latino-americano de Pesquisas Científicas – ILAPEC

1991 – 1995 - Graduação
Nome da instituição: Universidade Federal do Amapá - UNIFAP
Curso de Licenciatura Plena em Letras (primeira turma da Unifap, que recebeu o nome de Paulo Tarso Barros)
- Trabalho de Conclusão do Curso: Alguns aspectos sobre a vida e a obra de Alcy Araújo (1995)
LIVROS PUBLICADOS:

No dentro de Mim. 1985
Poemas de Aço. 1986
Existencial do Pássaro Migratório. 1997
O Devaneio é o Cetro do Poeta. 1997
Inventário das Buscas. 1997
Canção numa Hora de Encontros e Desencontros. 1997
O Benzedor de Espingarda (contos). 1998
As Peripécias do Moleque Borgue (cordel). 1998
Apontamento de Literatura Amapaense (Internet)
Datas Históricas e Comemorativas do Brasil e do Mundo (Internet)
Sogra na Vida da Gente (cordel, 2004)
História de um Sino (contos, 2008)
A Viagem do Diabo pelo Mundo (cordel, 2008)

Participação em Antologias:
13 Contistas da Amazônia. Editora da UFPA, 1993
7 Contistas da Amazônia. Editora da UFPA, 1993
11 Contistas e 13 Contos. Editora da UFPA, 1997
Macapá, Retratos Poéticos. Edições Tucuju/PMM, 2002
245 Quadrinhas de Amor a Macapá. CAEF, Macapá, 2003
Pescando Peixes Graúdos em Águas Brasileiras, de Geraldo Pereira (poemas, Goiás, 2004)

Contatos com o autor

· Site: http://paulo.tarso.blog.uol.com.br
· Blog: http://paulo.tarso.blog.uol.com.br
· E-mails: paulo.tarso@uol.com.br
· paulotarsobarros@hotmail.com (Messenger)
· twitter.com/paulotbarros

Orkut: http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=8709829767957617874




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COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA DO AUTOR


AS MÚLTIPLAS FACETAS DE UM ESCRITOR

São poucos, pouquíssimos escritores entre nós que podem atingir a dimensão literária que Paulo Tarso Barros alcançou. Sua intimidade com a literatura começou bastante cedo e hoje, ao chegar aos seus 39 anos de vida, dos quais mais da metade vividos no Amapá, o autor já é detentor de uma bagagem invejável, de uma produção premiada e reconhecida, admirada e elogiada por personalidades como o escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Ana – sim, este mesmo, que é considerado pelo grande crítico Wilson Martins, autor da monumental obra “História da Inteligência Brasileira”, como um dos maiores poetas contemporâneos do Brasil. Também o competente crítico, ensaísta e romancista Assis Brasil, autor de dicionários de literatura e arte, romances e ensaios, reconheceu na poética de Paulo Tarso um valor que ultrapassa a grande maioria do que hoje é produzido no país, onde infelizmente qualquer pessoa publica um ou dois versos, dá entrevista como poeta e sai declamando besteira em saraus. A maioria sequer conhece os rudimentos da língua materna e seus livros, eivados de erros, envergonham a gramática, a semântica e a complexa e difícil arte da poesia. Na obra de Paulo Tarso Barros podemos encontrar uma dupla e justificável preocupação: com a forma e o conteúdo, numa fusão perfeita que valoriza nosso fazer literário. Por isso mesmo seus trabalhos são constantemente selecionados para compor o rol de leitura dos vestibulares e os professores recorrem a ele para realizar palestras, debates – enfim, para falar de algo que ele realmente entende: Literatura. Foi num desses encontros numa escola pública que travei o primeiro contato com o escritor e logo pude perceber estar diante de alguém especial, que se diferenciava, pois ele falava com segurança sobre o processo e as dificuldades de criação, citava autores como Franz Kafka, Dostoiweski, Machado de Assis, Heminguay, Proust, Guimarães Rosa, Rilke e tantos outros, não esquecendo de mencionar que aqui entre nós também podemos contar com valores do porte de Alcy Araújo, Manoel Bispo, Fernando Canto e Elíude Viana. Depois daquele encontro, procurei conhecer os livros do autor e confesso a grande surpresa que tive: trata-se realmente de um grande poeta, um hábil manejador das letras, como bem o definiu Hélio Pennafort, capaz de esmiuçar o repertório da língua portuguesa para encontrar a palavra certa. E mais: é um exímio criador de neologismos (um dos raros existentes nesta terra), o que demonstra a criatividade e inventividade de alguém que nasceu com esse dom admirável e raro de poetar, de encantar e de cativar o leitor com a força e a combinação de palavras, passeando com elegância pelos recantos do vocabulário majestoso da língua portuguesa, cuja passagem pelo curso de Letras apenas ampliou e burilou seu saber.
O outro lado da vida desse escritor, que vive modesta e discretamente em Macapá, é a sua humildade, o seu jeito simples de conversar e falar sobre sua vida, os livros que lê e o grande amor que sente pelo povo amapaense e pela história. Não se percebe, ao conviver com ele, aquele lado esnobe e pedante tão comum em alguns supostos poetas que encontramos perambulando na noite de Macapá e que não perdem uma oportunidade em nos aborrecer com versos horríveis. Paulo Tarso demonstra ser avesso à chamada poesia de salão, aos rompantes de estrelismo, às noitadas de farras, badalações e fofocas que pipocam no mundo dos artistas que se julgam inspirados por musas e outras entidades imaginárias. Ele prefere a solidão, a leitura, a reflexão, a verdadeira e densa poesia que viceja em abundância em sua alma; prefere caminhar anonimamente pelas ruas de Macapá, tomar uma cervejinha de final de semana no mercantil do bairro, preocupado apenas com a qualidade da sua obra. Também pudera: espelha-se no exemplo, na vida e na produção de poetas como Carlos Drummond, João Cabral, Fernando Pessoa e do romancista Machado de Assis, seu autor preferido e que ele me confessou estar constantemente relendo e indicando para todos os que lhe pedem sugestão de livros.
Paulo Tarso, além de ser um dos nossos maiores talentos literários, tanto na prosa como na poesia, é capaz de gestos que surpreendem. Quando seus colegas da primeira turma do curso de Letras da UNIFAP, em 1995, escolheram-no por unanimidade para dar nome à turma, ele só aceitou se na homenagem fossem incluídos dois poetas pioneiros do Amapá: Aracy de Mont’Alverne e Arthur Nery Marinho. Por sua generosidade como pessoa humana, detentor de uma invejável bagagem cultural e que já ajudou a dezenas de outros escritores; pela grandeza e importância de sua obra literária é que ele merece o nosso respeito e o nosso aplauso. Infelizmente, sua voz e sua experiência, a seriedade e a segurança com que ele trata os assuntos literários tem sido relegados ultimamente por muitos daqueles que ele tanto ajudou e até arriscou colocar seu nome (talvez por ser um sujeito legal) em algumas obras de valor extremamente contestáveis. Nós, porém, saberemos relevar esses singelos deslizes, mais frutos de seu espírito de poeta do que ato de racionalidade crítica.
Mas os grandes nomes da Literatura brasileira estão ao seu lado. Ele foi o escritor escolhido para saudar seu conterrâneo, José Sarney, quando este lançou o romance Saraminda e abriu a exposição alusiva aos seus 70 anos. Com clareza e elegância, cumpriu seu papel de intelectual e líder de toda uma geração de novos e consagrados talentos que despontam no Amapá.
(Kleber Allan de Sousa (professor de Língua Portuguesa da rede estadual)
Publicado em O Liberal Amapá, edição de 25/08/2000
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NO DENTRO DE MIM, livro de poesias de Paulo Tarso Barros,já mostra, à primeira vista, o lado introspectivo de sua poética, aquele ângulo sombrio, cuja intensidade muda de um poeta para outro. Essa a faceta que observamos ao ler seu trabalho literário.
Difícil estabelecer semelhanças entre ele e outros escritores, que exploram as coisas soturnas da alma humana. Por isso, preferimos ficar nas impressões, porque estaremos a salvo de erros. Nem seria, também, o caso de entrar em comparações. Paulo Tarso é ainda muito jovem, tudo indicando que não conseguiu ainda firmar um programa literário definido, como o fazem os poetas experientes e sofridos do ramo.
Pelas imagens e o mergulho que realiza em torno do que há de negro e profundo no espírito do homem, despertou-nos a atenção o poema Zoológico Humano. Nessa linha de melancolia e de dor, ele alcançou um momento de raridade poética:”Onde a vida em concreto,/ na pedra lascada das vertigens cotidianas/ cai exorbitante sobre o ser/ que busca espadas, metralhadoras e mísseis / para sua guerrilha./ Seus cães ferozes, de uivos/ amarrados em coleiras de fogo/ fogem e se estraçalham no quintal da dor./ Perfuram-se os olhos, dilaceram-se vísceras/ exilam-se almas para/ purgatórios existenciais/ onde a angústia compõe seus textos/ com o sangue atemporal que goteja/ das nossas noites e dos intermináveis/ plantões que debitamos à nossa sorte”.
Um poema escrito em linguagem imaginativa, com imagens originais, e fora do convencionalismo da rima e da métrica. Paulo Tarso Barros fez uma incursão pelas camadas subterrâneas do ser humano, retirando conclusões universais.
Na mesma tendência estética enquadram-se poemas como Debanda, Vôo, Singular.
O poeta Paulo Tarso Barros tem potencialmente qualidades para continuar cultivando a poesia. NO DENTRO DE MIM lançou a semente onde poderão brotar muitos frutos. Tudo depende de sua dedicação e paciência com o mundo contraditório da arte poética.
(Carlos Cunha)

Paulo Tarso Barros é o jovem escritor vitoriense, e quiçá já ao caminho da vitória (sem trocadilho), que despertou cedo para as letras.
Pelo que se depreende da relação de sua bagagem literária ainda inédita, ele joga em todas as áreas, com o incansável ardor da sua juventude – é a poesia, o conto, o teatro, a literatura de cordel, e olhem lá se já tem em elaboração o romance que falta para enriquecer o elenco de sua produção literária.
Imagine-se o sacrifício e dificuldades enfrentadas para ver o seu primeiro livro ora lançado, um verdadeiro trabalho gráfico de artesanato realizado na pequena cidade de Arari, o que aliás para mim, tantos anos fora do Maranhão, constitui agradável surpresa.
Além do mais, gabe-se no trabalho de Paulo Tarso Barros, e já agora o livro em si, isto é, “NO Dentro de Mim”, o sentimento que ele procura transmitir na sua poesia: “Gostaríamos que essas manhãs/ não fossem somente do tempo/ dos pássaros e dos gases/ mas que hibernassem nossas pupilas/ com toda a luze poder/ capaz até de dissolver injustiças.”
Tudo isso dentro do subjetivo que a poética permite. Ou então a força telúrica que lhe vem da terra-berço, em suas caminhadas solitárias pela cidade: “Quando ando pelas ruas/ sinto-me além delas./Caminho por Vitória do Mearim/ com a plenitude dos meus sentidos”.
Bem, assim eu o vejo.
(RIBAMAR GALIZA, romancista e cronista)
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De linguagem moderna, os poemas possuem formas que revelam um alto nível de conhecimento e leitura por parte do autor e traduzem sua visão da realidade, construída plenamente pela experiência, numa constante preocupação em pensar, refletir e filosofar.
Sua temática envolve a observância do cotidiano tendendo ao regionalismo, embora o tino aguçado do autor proponha uma universalidade inclusa, pela amplidão filosofal do conteúdo dos temas.
(FERNANDO CANTO, escritor, compositor e sociólogo)
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Paulo Tarso Barros é um dos autores selecionados no V Concurso de Contos da Região Norte, com a narrativa A Usina. Esta narrativa se enquadra no "realismo maravilhoso" ou na "ficção científica"? Chiampi prefere a expressão "realismo maravilhoso" ao que ele chama de "termo onipresente e de uso indiscriminado"- cunhado por Todorov.
Volto à pergunta sobre como classificar o conto de Paulo Tarso: "realismo maravilhoso" ou "ficção científica"? O escritor elimina fronteiras. Aí está a principal força narrativa de A Usina, prejudicada, em parte, pelo uso impróprio de certos termos nas frases... mas, talvez, aí resida uma das características do escritor.
O narrador de A Usina é um anti-herói: "Alguns conseguiram vencer os desafios e viviam muito bem. A maioria, entretanto, e nesse grupo eu me incluo, jamais obteve sucesso", que retorna à cidade natal, na tentativa de reviver a infância. A mãe é um elo de ligação entre o passado e o presente. (...)

(J. Arthur Bogéa _ Jornal Feira Maluca - 3 a 16/10/97 - Macapá - AP)
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A POESIA DE PAULO BARROS

Há uma geração de jovens filhos de Vitória do Mearim que, coetânea do feixe de luz renovadora incidente sobre o Estado, pôde sorver com maior avidez os atrativos de um progresso econômico e cultural que se esboça no Maranhão.
São pessoas que, tendo despertado para a vida no limiar dos anos 70, vêm transpondo as barreiras de um comodismo ou de uma inépcia existente no plano cultural, naquele município, provocados pela estrutura sócio-econômica aviltante de que hoje se vai saindo, pouco a pouco.
Entre esses jovens, encontra-se Paulo Tarso Barros, meu amigo e companheiro de geração. Há entre nós uma diferença de idade de apenas dois anos, que não teria sido suficiente, unicamente, para lhe dar o ar vetusto com que me falava, aos 15 anos seus e 13 meus, da filosofia de Marx, da prosa poética de Gibran ou das paranóias de Hitler. Demonstrava, assim, o domínio de conhecimentos que, no universo vitoriense, guardadas as proporções de idade, eram superados apenas pelos mais "entendidos" do lugar, entre os quais estava o vigário, por exemplo.
Creio que muitos desses conhecimentos Paulo adquiriu através dos livros pedidos pelo reembolso postal e tornando-se assíduo leitor da biblioteca do provisionado André Lobato Martins.
Paulo Tarso Barros alcançou a intelectualidade precocemente. Em Atravessando, poema constante do livro No Dentro de Mim, ele revela isso: "Na verdade, esporadicamente me/ acodem revelações interessantes./ Eu comecei muito cedo/ a compreender o silêncio/ e, às vezes, traduzo algumas / de suas sentenças".
No Dentro de Mim é a primeira obra publicada de Paulo, apesar de ele vir exercitando-se com a pena de há muito, quando surpreendia pela inteligência e por certos comentários chocantes, irreverentes (...).
No final da década de 70, o poeta transferiu-se para Macapá, onde viviam parentes e amigos, em busca de emprego e melhores condições de vida. Hoje, é bastante conhecido nos meios literários da capital do Amapá, não menos aplaudido e vem participando de eventos culturais ali realizados.
Se tivéssemos que situar o poeta e sua obra no contexto dos movimentos literários maranhenses dos últimos anos, será difícil, haja vista que não reside no seu Estado de origem. O certo é que, pelo menos levando-se em consideração os influxos óbvios recebidos em Vitória do Mearim na adolescência, Paulo é dono de uma poesia que, se hoje é independente e tem temática e textura próprias, mirou-se de longe, embora, nos paradigmas da obra de Antônio Moysés Neto, da geração "Hora de Guarnicê", autor de Os Tamancos do Vaqueiro (1975) e nalguma coisa da obra Homem-Chão, de Arimatéa Coelho (...).
Surpreendentemente, Paulo quis lançar em Vitória do Mearim um livro cujos textos transparecem estádios de um ser que "associa-se ao tempo em que vive", isto é, uma obra que pouco tem a ver com a realidade da sua terra no que ela poderia sugerir do ponto de vista das reminiscências conservadas. Reminiscências que o poeta conserva - eu sei - como que para sacramentar numa dimensão quimérica a vivência daquela meninice perplexa com o fenômeno da pororoca do Mearim, uma meninice em que a nossa cosmovisão não extrapola o ambiente no qual passeavam os personagens da realidade fantasticamente incomensurável daqueles dias: Marcos Preto, que conhecia segredos do ocultismo; Velha Amância, a negra que fôra escrava e contava com cento e tantos anos; a lendária serpente da praça da matriz que, quando emergisse do seu sono profundo, destruiria a cidade; e assim por diante.
De qualquer maneira, foi simbólica a escolha da sua terra para lançar o primeiro livro. Foi lá que ele começou e, aqui e acolá, no livro, percebe-se um quê de nostalgia. E se sua poesia se universalizou na temática, os seus contos são ambientados quase sempre naquela cidade e os personagens, embora aureolados da atmosfera criada, são Chico Lefor, Cascavel, João Damasceno (O Benzedor de Espingarda), Borgue, Manecão, etc. A ligação telúrica é grande com a sua Vitória do Mearim.
Em No Dentro de Mim, Paulo é um poeta cujas reflexões resultaram do amadurecimento do poder de captação do real, poeta de uma filosofia universalista, mas profundamente ontologista, de uma ontologia nauseante para si próprio, percebe-se, meandrando o Existencialismo. Preocupado com o "homo sociale", homúnculo diante de uma visão escatológica sob a égide da qual o único vaticínio possível, nesta babel hodierna, é a do apocalipse nuclear, Paulo é o poeta a cuja prodigalidade literária vincula-se, inexoravelmente, as condicionantes de espaço e tempo sociais, denunciando estruturas opressivas, hipocrisias e mistificações, com recheio de nojo/desprezo/pessimismo.
Desse pessimismo/desesperança momentâneo é que advém, na sua poética, a construção de certas passagens, aparentemente ilógicas, absurdas, desprezo generalizado pela sordidez da vida que oferece a consumptabilidade dos nossos dias: "Qualquer poesia/... / pode ser igual a uma/ casca de banana no lixo", quando o poema é o "colapso mental do ser".
Um Paulo em busca dos fundamentos ontológicos é encontrado em Estágios do Ser: "O ser associa-se ao tempo ao tempo em que vive, / consubstanciando a geração das suas / carências, navegando nas enchentes/ de si mesmo e suprimindo a inocência/ que tenta pacificá-lo./ O ser tece o seu abandono/ continuamente./ O ser tropeça no seu tempo e na / vastidão de palavras superficiais que/ escapolem dos seus mecanismos psíquicos".
Mordaz e sarcástico é o Paulo encontrado na consideração da vida putredinosa do homem moderno, que colocou em Sociologia estes versos: "Ser, ó ser de barro e limo,/ histórico, político ou marginal, / dar-te-ei Super-Bonder/ para que emendes os seus fragmentos".
Outro poeta, dentro do mesmo "complexo civil chamado Paulo", como ele se autodefine em um poema (...), vislumbrando o holocausto final, sentencia em Os Condenados: "Somos carne, osso e talvez sumo. / Nosso pó será estocado no inferno/ onde amargo enxofre nos cobrirá".
(Washington Cantanhêde - Diário do Norte - S. Luís - MA, 17/05/86)

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“Demonstra a competência de uma linguagem poética de cunho universal, situando com sensibilidade o indivíduo e sua existência”.
ASSIS BRASIL (crítico, romancista e professor)
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“E continue com a poesia. O mundo precisa”.
NELLY NOVAES COELHO (crítica e professora)
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"É tocante, sempre, ver como a poesia brota em todas as partes, no caso agora, em Macapá. De repente, abro e vejo: Há domingos vazios e geométricos./ Sentamos diante de uma máquina de escrever/ e percebemos que as palavras, às vezes,/ são absolutamente esnobes e insensíveis.
A poesia tem-me desafiado e a não sei quantos. Seu texto é legível, comunicável, honesto. Nada daqueles estratagemas dos que querem impressionar ou estar na última moda.
Continue assim. Abraço. Espero que seus livros façam bela carreira. Que merece."
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANA (poeta, crítico e professor)
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"O artista é excelente. Aqui tem os meus aplausos, com os agradecimentos muito cordiais do seu admirador, Josué Montello".
JOSUÉ MONTELLO, escritor e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, sobre O Benzedor de Espingarda (1998).

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ENTREVISTA LITERÁRIA

P - Como e quando você começou a escrever?
R - Como acontece com todo escritor, os livros me levaram para a Literatura. A partir do momento em que me interessei por eles, escrever foi apenas uma conseqüência. A minha avô materna adorava ler e foi uma grande incentivadora desse hábito. Ela recitava os grandes românticos brasileiros, principalmente Castro Alves e Gonçalves Dias. Infelizmente faleceu antes de eu lançar o primeiro livro e não pude ofertar-lhe um exemplar. Tenho certeza de que ela iria ficar muito feliz. Lembro-me de que o padre Hélio, diretor do famoso Instituto N. S. de Nazaré, da minha cidade Vitória do Mearim, já perto de morrer, não podia mais andar. Mesmo na sua rede, recebia os alunos rebeldes ou que tivessem cometido qualquer infração. Certa vez fui levado pela professora para ouvir o "sermão" e receber a "penitência" porque havia feito alguma coisa errada. O padre, que era um intelectual, disse-me: seu castigo será ler um livro (O Patinho no Segundo Ano). Li, gostei e no outro dia, prazo que ele havia me dado para devolver a obra e contar-lhe a história, já fui pedindo outros livros. Daí então não parei mais e li tudo, inclusive as HQs. Uma das maneiras de homenagear o padre Hélio é citando-o nos meus livros. Vez por outra ele aparece em alguma cena.

P - Quer dizer que você era um aluno rebelde?
R- Fui um dos mais "atentados" no tempo em que fazia o primário e até na época do ginásio. Aprontava todas, era relapso, minha mãe vivia brigando e sofrendo por eu não gostar de estudar. Lembro-me das minhas professoras e o que elas passaram nas minhas mãos. Felizmente, hoje em dia, tenho o maior respeito por elas, envio-lhes meus livros e, ao chegar ao Maranhão, faço questão de visitá-las. Quando elas rememoram aqueles tempos, temos bons motivos para rir bastante. Tenho certeza de que elas hoje em dia me adoram e isso me deixa feliz.

P - Você mencionou as histórias em quadrinhos? Fale um pouco mais sobre essa experiência.
R - Não só li como reconheço que foi através delas que eu dei um grande passo no rumo da escrita. Como eu já declarei várias vezes, na minha cidade não havia livrarias, nem bancas de revistas. Então, o jeito era pedir emprestadas as revistas daqueles que as compravam na capital. Mas a minha avó Venância Bogéa mandava buscá-las pelo Correio. Isso nos anos 70. Lembro-me que eu, leitor voraz, em pouco tempo possuía centenas de exemplares, caixas e mais caixas cheias de Flash Gordon, Tarzã, Homem-Aranha, Batman, Super-Homem, Zorro etc. Eu lia e encarnava aqueles super-heróis. Meu grande amigo Baíco, que hoje está no Exército, um dia descobriu um cipó igualzinho ao que Tarzã usava nos seus deslocamentos. E isso na beira do rio Mearim. Era uma festa para todos nós! Um dia, já querendo ser desenhista, enviei uma carta à EBAL (Editora Brasil América), do Rio de Janeiro, perguntando como se fazia uma revista, pois também almejávamos criar uma revistinha. Eles então responderam que antes dos desenhos deveria existir um roteiro, uma espécie de script. Então, comecei a aprender a escrever. Com o tempo, deixei de lado o desenho e passei a me interessar pelo texto. Foi um duro e prazeroso aprendizado, que ainda continua. Escrever é um vício, uma compulsão, uma espécie de dependência. Quando você se envolve, raramente abandona o barco. Embora às vezes sofra e já tenha me decepcionado com alguns episódios e pseudos amigos, não tenho planos de abandoná-la. Com o tempo, vamos aprendendo a selecionar nossos amigos e a valorizar os que realmente são talentosos. Infelizmente, pouquíssimos.

P - Quais os autores que mais o influenciaram na época em que você começou a se interessar pelos livros?
R- Tive influências de Carlos Drummond, Fernando Pessoa e dos poetas maranhenses Gonçalves Dias, Nauro Machado, Bandeira Tribuzzi e Ferreira Gullar. Recentemente (1988), fiz uma visita ao Nauro Machado, na sua casa em São Luís, onde ele vive com a esposa, a escritora Arlete Nogueira. Nauro, para mim, é um dos melhores poetas do mundo. Aqui no Amapá, sou fascinado pelos poemas de Alcy Araújo, Manoel Bispo e Elíude Viana. Também li Rui Barbosa, Victor Hugo, Platão, Sartre, Graciliano Ramos, Dostoievski, Mário Palmério, autores que descobri na biblioteca do advogado provisionado André Lobato Martins, que morava bem perto da nossa casa na Praça Rio Branco. Tornei-me seu amigo e ele me emprestava livros. Devo a ele parte substancial do conhecimento que adquiri na minha infância. Naquela época eu estava com 12 ou 13 anos e foi de fundamental importância aquelas leituras, principalmente porque o velho Lobato conversava muito comigo e redigia de forma brilhante. Lembro-me de que era ele o autor de todos os discursos e versinhos que os alunos declamavam nas escolas. Até eu recorri - uma única vez, devo frisar - aos seus préstimos, pois logo pude eu mesmo redigir meus textos. Alguns dos meus amigos de infância, como é o caso de Washington Castanhedo - este, uma das pessoas mais inteligentes que conheço – e o poeta Arimatéa Coelho, que estudavam em são Luís, sempre me emprestavam livros, foram importantes, pois gostávamos de ler e trocávamos informações sobre livros, discutíamos literatura, filosofia, política, religião etc.; fizemos teatro, participamos de campanhas políticas quando ainda éramos bem jovens (entre 13 e 15 anos, para assombro das oligarquias conservadoras). Tínhamos, lá naqueles cafundós, um pequeno círculo de intelectuais, que se esforçava para entender, criticar e transformar o mundo. Arimatéa Coelho e Antônio Moysés, dois poetas da nossa cidade, destacavam-se na capital maranhense e eram um grande incentivo para nós.

P - E atualmente, o que você lê?
R - Leio e releio Machado de Assis, Kafka, Garcia Márquez, Fernando Pessoa, Drummond, Lima Barreto, Kant, Sartre, Cervantes, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Gilberto Freyre e dezenas de outros escritores. Também leio quase tudo que foi produzido aqui no Amapá. Sou um apaixonado pela história desta região, que é muito parecida com a da minha terra. Afinal, já fomos a Província de Maranhão e Grão-Pará e temos muitos personagens históricos em comum. As invasões e ocupações estrangeiras na época colonial, o massacre de índios, o episódio de Cabralzinho, a República de Cunani, os grandes projetos de mineração e reflorestamento, tudo isso se constitui numa verdadeira epopéia, cheia de lições - ou seja, os erros, as virtudes, as vaidades e as grandezas humanas. Quanto mais eu leio e descubro livros sobre a nossa História, mais surpresas vou encontrando.
P - Que conselho você daria a quem deseja ser escritor?
R - Não sou muito adepto dessa palavra "conselho". Mas recomendo ao sujeito que pelo menos leia um livro do Rilke (Poemas e Cartas a um Jovem Poeta, da Ediouro) e faça aquela célebre pergunta que ele sugere: morrerei se não escrever? Se a resposta for afirmativa, que ele vá em frente e estude diuturnamente. Mas por favor: não interprete isto ao pé da letra se não correremos o risco de uma hecatombe! Ser escritor não é fácil. O camarada hoje em dia mal alinhava um ou dois versinhos, uma cronicazinha capenga e já corre atrás de uma gráfica, de um revisor, de um amigo e de empresários ou do governo. E não é assim que funciona a coisa. Se o escritor não dominar as palavras, não tiver um mínimo de conhecimento lingüístico, vai quebrar a cara. Literatura de verdade só se faz com uma combinação de talento, trabalho exaustivo e paciência. E, principalmente, com o domínio do instrumento de trabalho: a língua. Em literatura, a melhor coisa que o escritor deve fazer é não confiar na "opinião" dos amigos ou parentes, pois na maioria das vezes estes não enxergam ou omitem propositadamente os nossos defeitos e adoram acariciar os nossos egos. É preferível obter a opinião de uma pessoa competente e que não tenha nenhum laço afetivo conosco. Costumo dizer aos afobados, que querem publicar um livro de qualquer maneira e no mais curto espaço de tempo, que esse tipo de procedimento não é o ideal. Apesar do nosso tipo de trabalho ser um dos atos mais solitários do mundo, quando alguém escreve dificilmente o faz apenas para si mesmo: qualquer escritor quer ser lido, quer ser amado. Eu diria até: o ser humano necessita desse contato vital com outro ser humano. Portanto, é um ato de enorme responsabilidade colocar um livro à disposição do público. Você já imaginou imprimir uma obra, que vai permanecer por dezenas de anos nas bibliotecas, se a mesma estiver cheia de erros, for incoerente ou redigida de forma a não chamar a atenção? Dou graças a Deus, hoje, por ninguém ter tido a coragem publicar alguns dos meus primeiros escritos.

P - Na sua opinião, por que há mais livros de poesias do que de prosa?
R - Como eu já disse, qualquer um que escreva uma declaração de amor, fique emocionado diante de um crepúsculo, sinta-se cheio de revolta pelas injustiças sociais, repudie a violência, acha que seu texto é capaz de interessar ao mundo inteiro. Nem todo texto dessa natureza, escrito em forma de poema, traz poesia. As pessoas se enganam e acham fácil escrever um poema, mas aí é que reside o perigo: a poesia é um jogo complexo de palavras, é uma linguagem muito especial onde entram elementos metafóricos, aliterações, assonâncias, ritmo - enfim, é uma linguagem que nem todo autor é capaz de dominar. Por isso mesmo há um número assaz pequeno de bons poetas e uma avalanche de livros ditos de poesia. Aqui mesmo em Macapá podemos constatar esta afirmação. Infelizmente, a maioria dos poetas sequer sabe fazer a distinção entre poema e poesia. Enganam-se aqueles que julgam ser a poesia uma arte menor. Cerca de noventa por cento da poesia publicada atualmente não presta. Benedito Nunes escreveu um ensaio magistral sobre essa quantidade exorbitante de poemas de amor tipo “água com açúcar” que são publicados no Brasil. Seria ótimo que todos os poetas ou pretensos candidatos tivessem acesso a esse texto. Um bom poeta nasce com o dom da poesia (e isso todo mundo da área sabe). E Deus, infelizmente, não distribuiu essa dádiva para um elevado número de pessoas. Ou se nasce ou não poeta. Enquanto pode-se aprender a escrever um romance ou um conto, através de algumas técnicas, já com a poesia isso não acontece. Outra coisa que não deve existir no escritor é a vaidade e o estrelismo. Ele tem que estar consciente de que não é melhor nem superior aos outros seres humanos. A Literatura é importante, mas comida e ar puro são essenciais.

P - Quando você publicou o primeiro livro?
R - Publiquei meu primeiro livro em 1985: No Dentro de Mim, que a gráfica quase extermina com tantos erros. Mas já estava no momento, pois eu vinha de vários experiências, já sofrera bastante, tinha lido um bocado e já contava 26 anos. As pessoas me cobravam e resolvi aceitar o desafio. O crítico Carlos Cunha, um dos mais abalizados do Maranhão - e que jamais teve qualquer contato pessoal comigo - me deu algum incentivo, e eu pude continuar. Também o Washington Cantanhêde publicou um artigo analisando minha trajetória. Tanto que no ano seguinte fiz o lançamento de Poemas de Aço,com aval do Conselho Estadual de Cultura, que também mereceu do Carlos Cunha outro artigo de natureza crítica – e favorável, graças a Deus!

P - Como surgem seus livros? Em que você se inspira?
R - Para escrever um livro de história ou mesmo um conto (prosa), eu parto de uma idéia, de uma pessoa, de um fato, de um sonho. Quase todos os contos (ainda não criei nenhum romance digno!) que escrevi foram baseados em algum fato ou personagem. Depois que você está com a idéia, a que muitos chamam de "inspiração", o resto é trabalho, transpiração, angústia, alegrias e tristezas. O escritor trabalha. E sua maior angústia acontece quando as palavras fogem, escondem-se, esnobam. Lembram daquele poema O Lutador, do Carlos Drummond? Pois aquilo é a tradução fiel do mundo caótico e fascinante do escritor. Eu gosto de brincar com a realidade e a ficção, isto é, eu junto elementos do mundo real com os frutos das minhas fantasias, a fusão do concreto e do abstrato. Por exemplo, o conto A Usina (publicado na obra O Benzedor de Espingarda, 1988) surgiu depois de um sonho. Eu sonhei quase tudo aquilo e, enquanto a minha esposa tomava banho para que fôssemos votar, escrevi de uma só vez a versão inicial da história. Os sonhos ajudam, pois outros textos meus nasceram dessa maneira. Mas sou irrequieto, reescrevo, mudo, corto e emendo.

P - E o que é a "versão inicial" ?
R - É a primeira idéia, o esboço preliminar - que pode ser de um conto, novela, poema, peça de teatro etc. Primeiro você tem a idéia, e, se não quiser perdê-la, faz logo suas anotações - a não ser que tenha uma memória privilegiada, o que não é o meu caso. A partir daí você vai trabalhar o texto, reescrevê-lo, acrescentar outras coisas, cortar, substituir palavras usadas inadequadamente. Enfim, às vezes você muda radicalmente a concepção de uma história. E isso acontece com quase todos os escritores. Aqueles autores de best-sellers, muitas vezes elaboram 5 ou mais esboços dos seus thrillers até que encontram a "fórmula" que vai prender a atenção dos leitores. E mais: eles contam com uma assessoria editorial competente, equipes de pesquisadores que trabalham o livro até torná-lo um produto de excelente qualidade que será colocado no mercado com muito barulho, dentro dos conceitos de marketing. Por isso eu sempre digo: se você quer ser escritor, não pode ser um preguiçoso nem deve ter vergonha de pedir a opinião e a colaboração de outras pessoas. Aceite as críticas, seja humilde. Muitas vezes um professor ou alguém inteligente, que nem é escritor, pode ser crucial na hora de uma opinião ou de uma sugestão.


P - Quais as características da sua obra, tanto na poesia como na prosa?

R - Acho que todo escritor busca a liberdade de criação. Não me prendo a modelos e fórmulas prontas, raramente me utilizo das rimas - muito embora eu tenha alguns poemas onde elas aparecem. Quero deixar bem claro que não sou contra as rimas ou quem as utiliza: apenas não faz parte do meu estilo o uso permanente desse recurso na poesia. Quando redijo, procuro usar o mínimo de palavras. Corto as supérfluas e prefiro as que não sejam consideradas "difíceis", rebuscadas. Às vezes, tendo em vista a própria natureza do texto literário, tenho que optar por vocábulos pouco usuais, principalmente em poemas. Outras vezes, recorro a neologismos. Mas de uma forma geral, procuro não ser hermético. Pretendo ser lido e entendido. O leitor não merece um texto em que tenha que recorrer várias vezes ao dicionário, principalmente porque eu sei que a esmagadora maioria tem preguiça de consultá-lo.

P - Você já ganhou algum prêmio literário? Qual foi a importância disso em sua vida literária?
R - Sim, já ganhei uns quatro ou cinco concursos. Mas não levo muito a sério, nem me envaideço com prêmios, medalhas, certificados, pois faço meu trabalho sem pensar muito nesse tipo de julgamento, nem sempre honesto ou justo. A maioria dos prêmios literários no Brasil parece brincadeira, é uma verdadeira falta de respeito para com o escritor - tanto no que diz respeito aos valores oferecidos como pela pouca ou nenhuma repercussão. Acho que eles não acrescentaram nada ao meu trabalho em termos qualitativos. Eu já participei de um concurso, certa vez, apenas porque precisava de uma passagem aérea e não tinha o dinheiro para comprá-la. E tirei o primeiro lugar, como já esperava. Entretanto, há escritores que adoram esse tipo de coisa. Eu me orgulho muito mais quando encontro alguém que leu meus textos e vem comentar, discutir, questionar, criticar ou sugerir. Respeito o meu leitor, pois nesse contato, as críticas e sugestões me são mais úteis do que certos prêmios.

P - Qual dos seus livros é o preferido?
R - O que eu mais gosto é a coletânea de contos O Benzedor de Espingarda. É o livro que mais me deu trabalho, que passou mais tempo comigo e foi praticamente baseado na minha infância. A maioria das personagens são reais, conviveram comigo. Sou fascinado por Manecão, e isso deixo bem claro, pois entrego-lhe o controle da narrativa na primeira parte do livro. Eu passava horas e horas ao seu lado, gravava seus depoimentos e fizemos uma grande amizade. Ele gostava de fazer o papel de capanga (agora eles adaptaram o vocábulo segurança, para mim um eufemismo) de prefeitos, coletores de impostos e juízes - as autoridades mais importantes das cidadezinhas. E quando tomava alguns copos de cerveja, divertia todo mundo com as suas histórias de valentia. Vez por outra ele arranjava confusão de verdade. E eu assisti a muitos episódios envolvendo Manecão. Há algum tempo, dei a ele uma bela faca de caça e a minha mãe ficou preocupada. Eu sabia que ele jamais iria utilizá-la. Infelizmente, Manecão faleceu em 2001, dormindo.
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P – Como foi a sua infância em Vitória do Mearim, no Maranhão?
R – Nós morávamos numa casa localizada no centro da cidade, na Praça Rio Branco, perto de tudo: prefeitura, escola, igreja, cartório, casa dos prefeitos, casa do Dr. Faray (que era o sujeito mais rico do lugar, além de juiz de direito e nosso vizinho), onde tudo acontecia, principalmente os festejos religiosos de N. S. de Nazaré, no início de setembro, o arraial, o bumba-boi. Por trás da nossa casa passava o rio Mearim, onde tomávamos banho diariamente e aguardávamos o tempo das enchentes, a pororoca, as embarcações que vinham de outras localidades. Ali absorvi as primeiras histórias, comecei a perceber os personagens – quase todos os que aparecem no meu livro de contos O Benzedor de Espingarda, como Manecão, Bidicão, Rosa Bobagem...

P – Seu primeiro livro de poemas, No Dentro de Mim, data de meados dos anos 80. Se você ainda tivesse aqueles textos inéditos, teria coragem de publicá-los hoje?
R – Com certeza. Foram poemas marcantes, inclusive bem recebidos pela crítica especializada. O que não me agradou foi a impressão da obra, confeccionada numa tipografia, pois houve muitas falhas técnicas. Hoje se faz tudo no computador.

P – Por que aqui no Amapá se publica mais poesia do que prosa?
R – Não é só um fato local: acontece no país inteiro. O Brasil é um país que, embora com um índice alarmante e quase intolerável de violência e desigualdade social, existem muitas pessoas sensíveis, que se emocionam, gostam de se divertir, são românticas, adoram brega e carnaval. Infelizmente, quantidade não é sinônimo de qualidade. Mas acho bom as pessoas continuarem escrevendo. De vez enquanto encontramos bons textos.

P – Você acha que já temos qualidade literária para lançar escritores em todo o país?
R – Claro, já temos autores despontando noutros estados, embora em pequena quantidade. É o caso de Ray Cunha, Elíude Viana, Joy Edson, Fernando Canto, Arquibaldo Antunes, Luly Rojanski, Paulo Ronaldo, Luiz Carlos, Cláudio César, Ademir Pedrosa e outros mais. Infelizmente, o livro e o autor brasileiro encontram muitas barreiras. Você chega no shopping de Macapá, por exemplo, e não encontra uma banca de revista, uma pequena livraria. Aliás, temos mais editoras do que livrarias. A Argentina, que é um país pequeno, conta em sua capital, Buenos Aires, com mais livrarias do que o Brasil inteiro. Nós que escrevemos poesia e ficção temos um público bem pequeno. Buscam-se mais obras didáticas e técnicas ou os famigerados manuais de auto-ajuda e literatura cosmética, tipo Paulo Coelho, que é o nosso maior vendedor de livros.

P – Como você classificaria sua obra literária?
R – Eu me considero um camarada com vontade de escrever, muito autocrítico, que respeita a paciência do leitor. Por isso só publico quando submeto os originais a várias pessoas. Considero minha obra ainda em construção, mas bem modesta. Temos muito a aprender.

P – Onde é mais fácil produzir literatura: aqui no Amapá ou no Maranhão?
R – Eu nunca publiquei nada no Maranhão. Mas sei que lá temos alguns dos melhores poetas e escritores do Brasil – como Ferreira Gullar, Nauro Machado, Luís Augusto Cassas, José Louzeiro, Sarney e dezenas de outros. Acho que no Amapá é mais fácil, embora muita gente reclame da falta de apoio. Mas lá não é tão fácil publicar. Apesar dos pesares, o governo ainda é o maior editor aqui no Amapá.

P – Como é dirigir a Associação Amapaense de Escritores?
R – Não é fácil reunir os escritores sem ter alguma coisa para oferecer. Todos querem publicar. São poucos os que aparecem nas reuniões e lançamentos de livros, o que me deixa muito triste. Mas nós precisamos manter a chama, ter referenciais. De uma forma ou de outra, já conseguimos apoiar vários escritores. Ultimamente perdemos vários colegas, como o professor Benevides, Cordeiro Gomes, Oswaldino Raiol, Hélio Pennafort, Isnard Lima, Edson Corrêa, Araci de Mont’Alverne e o pesquisador Coaracy Barbosa. Eu gostaria de ter mais tempo para me dedicar só à literatura e a APES. Mas tenho que sustentar minha família e faz uns três anos que não tiro férias. Mas estou tentando organizar melhor a minha vida e realizar esse projeto.

P – Quais seus projetos literários?
R – Publicar um livro sobre a literatura amapaense e reescrever meus livros inéditos de poemas e contos. Também trabalho na reedição de livros raros aqui do Amapá, edições já esgotadas e de autores que já se foram. Temos vários projetos em andamento.

P – Existe uma preocupação da APES em registrar o trabalho dos pioneiros, como Arthur Nery Marinho e Aracy de Mont’ Alverne?
R – Claro que existe. Eu mesmo já publiquei uma coletânea de poemas da professora Aracy denominada Arquivo do Coração e já temos um livro de Arthur Marinho na gráfica, pronto para ser impresso. Inclusive, graças à APES, o governo se sensibilizou e hoje já existe uma escola com o nome da professora Aracy de Mont’ Alverne.

P – Você se sente realizado como escritor?
R – Não, de maneira nenhuma, pois eu gostaria de ter o meu trabalho e de meus outros colegas mais divulgados. Sonho com isso, luto a cada dia, principalmente para que haja mais empenho por parte dos autores. Mas não desistimos. Continuamos visitando escolas, escrevendo e publicando. Faz parte da alma de todo poeta cultivar o sonho, as utopias, a idéia de que o mundo precisa de poemas, bons romances.

P – Como se chamam seus pais?
R – Meu pai, que faleceu no dia 02/01/2002, chamava-se Euzemar dos Santos Barros, que nasceu em 1925. Era muito inteligente e criativo. Minha mãe se chama Miriam Bogéa e Silva, nascida em 1923, pois agora ela usa o nome de solteira.

P – Como é a sua vida pessoal? Quais são os seus anseios e expectativas?
Minha vida é muito simples. Sou casado com a professora Dinalva de Souza Barros, tenho duas filhas – Ingrid Tarsinalva e Ádila Caroline, moro no conjunto Laurindo Banha, tenho três cachorros que me adoram, saio pouco de casa, não gosto de barulho nem de badalação. Não gosto de pessoas arrogantes e violentas. Leio quase todos os dias, embora não o tanto que necessito para aprimorar meus conhecimentos. Meus anseios são os de todos os seres humanos sensatos: uma sociedade mais justa, uma melhor distribuição de renda, mais educação e informações para o povo. Acho que, com a maior abertura de faculdades, a população vai ganhar mais conhecimentos e, conseqüentemente, as futuras gerações terão poder e viverão num país melhor, se Deus quiser.

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OUTRAS ENTREVISTAS LITERÁRIAS REALIZADAS POR ALUNOS DA UNIVERSIDADE VALE DO ACARAÚ – UVA, UNIDADE DE MACAPÁ, DO CUROS DE LETRAS (2008)


P – O que você sabe sobre a trajetória da Literatura, principalmente da poesia amapaense?
R- O que sabemos é que os primeiros registros sobre a produção literária foram publicados através do jornal Pinsônia, cujo editor era Mendonça Júnior. Esse jornal circulou entre 1895 a 1899, quando o Amapá fazia parte do território paraense. Alexandre Vaz Tavares, nascido em Macapá no dia 8 de agosto de 1858 e falecido em 3 de abril de 1926, foi um dos primeiros – ou quem sabe o primeiro que deixou registros de poesias. Considero três marcos na produção literária do Amapá, com ênfase na poesia: as antologias Modernos Poetas do Amapá (1960), com trabalhos de Alcy Araújo, Álvaro da Cunha, Arthur Nery Marinho, Aluízio da Cunha e Ivo Tores. Em 1977 foi publicada a 2ª antologia intitulada Xarda Misturada, com poemas de Ray Cunha, José Montoril e Joy Edson. Já a terceira antologia veio a público em 1989: Coletânea Amapaense – Poesia & crônica, uma obra que reuniu 27 escritores e traça um breve perfil da produção literária amapaense.

P – Onde podemos encontrar fontes históricas?
R – Aqui no Amapá há alguns jornais na Biblioteca Pública, assim como parte da produção literária mais recente. No Pará, provavelmente poderemos encontrar mais fontes de pesquisa.

P – Por que é difícil trabalhar a literatura amapaense nas escolas?
R – Vários fatores dificultam esse trabalho. Em primeiro lugar eu considero que a nossa produção ainda é bem pequena, cerca de 12 livros por ano – ou menos. Nem todos esses livros são considerados pelos professores como material adequado para se trabalhar em sala de aula. As tiragens, ou seja, quando se manda imprimir um livro (não temos editoras, e isso é muito ruim!) geralmente são poucos exemplares e não há uma distribuição nem divulgação. Muitos nem sabe que se publica livros aqui no Amapá. Outro fator é a falta de uma política por parte da Seed e da Secult em valorizar e fomentar a produção e direcioná-la para as salas de aula. Também sentimos que muitos autores se acomodam e não se empenham em divulgar seus trabalhos. E um livro precisa ser divulgado, discutido, analisado, senão fica esquecido.
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P- Qual a influência da realidade amapaense em sua obra?
R – Eu cheguei ao Amapá em 1980 e, como todo nordestino que já tinha iniciado a sua vida literária na terra natal, fui tratando de aprender sobre o meu novo local – aliás, eu já trazia comigo várias informações que recolhera em livros e revistas. Impressionei-me com o rio Amazonas tão perto de mim: eu morava na Av. 1º de Maio, no Trem, e vivia perambulando, aos finais de semana, pelo Araxá, Vacaria (hoje Santa Inês), Fazendinha. Jogava bola e namorava nesses locais. Sempre gostei de rios. Nasci e fui criado com o rio Mearim passando pelo quintal da minha casa.
Creio que todo escritor deve estar aberto a novas experiências e eu sempre procurei usar os cenários, as lembranças e as percepções do Amapá, mesclando com minhas lembranças da infância maranhense, tanto nos poemas como nos contos. A minha obra tem forte influência da minha vivência aqui no extremo Norte, principalmente porque procuro assimilar o que há de melhor por aqui: a natureza, a cultura, as pessoas, a história do povoamento pelo branco desta região, as culturas indígenas, os mitos e lendas. Hoje posso dizer que sou mais amapaense do que muitos que nasceram aqui.

P – O que o levou a escrever a coletânea de contos O Benzedor de Espingarda?
R- Desde os treze anos eu senti o desejo de escrever e lutei bastante para me equipar com os elementos necessários a essa vocação: leituras, muitas leituras, convivência com outros escritores e com os personagens. Aquele elenco de criaturas que povoam as páginas do livro existiram (salvo poucas invenções). Convivi durante muitos anos com Manecão, Bidicão, João Damasceno, Cascavel, Rosa Bobagem, Chico Lefor, Antônio Lavina. Portanto, foi só recolher alguns episódios que presenciei ou ouvir contar e trabalhar um pouco a linguagem. O livro surgiu fácil, gostoso; eu gravei dezenas de depoimentos de Manecão. Esse livro é o inventário sentimental da minha infância e, felizmente, tem interessado a milhares de pessoas que o lêem com prazer e se divertem com os causos ali relatados. Eu tinha plena confiança que o livro iria ter uma trajetória de sucesso.

P – Você acredita que a cultura nordestina influencia com ênfase a sua obra?
R _ Claro, e o livro O Benzedor de Espingarda é uma prova disso. Também enveredei pela literatura de cordel, que é uma manifestação cultural tipicamente nordestina. Fiz várias experiências com os folhetos, pois sempre fui fascinado pelos cantadores e repentistas. Por ser natural da região, a minha matriz cultural evidentemente é marcada pela presença de elementos nordestinos. Por isso que eu agradeço a Deus por ter o privilégio de ter nascido no Maranhão e vivido aqui no Amapá. Isso só enriqueceu a minha vida, me abriu a mente e me faz valorizar cada pedaço do nosso país e compreender melhor a nossa realidade.

P- Qual a importância de divulgar a poesia amapaense e a poesia de um modo geral, principalmente nos saraus realizados por vocês?
R- Divulgar a poesia é trabalhar com uma forma de linguagem rica e poderosa, capaz de chamar a atenção e mexer com a emoção e os sentimentos tanto dos poetas como dos espectadores. Ao participarmos de recitais, estamos estimulando tanto a leitura, a apreciação dessa arte tão bela e fascinante que é a poesia como o surgimento de novos autores. E dando voz aos poetas, alguns que inclusive já estão do outro lado da vida. Você já imaginou um poeta mudo? Um livro ou um caderno esquecido numa estante ou numa gaveta? Ao dar voz a um poeta estamos compartilhando de sua experiência estética. É extremamente gratificante o envolvimento do autor e do público.


Contatos com o autor

· Site: http://paulo.tarso.blog.uol.com.br
· Blog: http://paulo.tarso.blog.uol.com.br
· E-MAIL: paulo.tarso@uol.com.br
· paulotarsobarros@hotmail.com
Orkut: http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=8709829767957617874


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UM POUCO MAIS SOBRE O AUTOR

PAULO TARSO SILVA BARROS é natural de Vitória do Mearim - MA, onde nasceu a 29 de agosto de 1961. Filho de Euzemar dos Santos Barros (Bazinho) e Miriam Bogéa e Silva. Têm ancestrais árabes e portugueses (famílias Bogéa, Marinho, Barros). Aos treze anos começou a escrever. Publicou poemas em jornais, criou grupo de teatro, escreveu e dirigiu peças, produziu literatura de cordel e panfletos, divertiu-se como locutor e trabalhou em campanhas políticas. Em 1979 deixou o colégio onde fazia o curso de habilitação para o magistério, viajou para o Amapá e trabalhou em uma loja do seu irmão. Estudou no Colégio Amapaense e, em 1982, empregou-se numa empreiteira, onde permaneceu até 1988, quando pediu demissão. Nessa época, já casado, viajou para a terra natal, reencontrou vários amigos de infância (todos na militância política, sob a liderança de Washington Cantahêde), engajou-se novamente numa campanha eleitoral, fundou um jornalzinho e ficou bastante feliz com o nascimento de Ingrid Tarsinalva, sua primeira filha. Em 1990 retornou a Macapá, ingressou novamente na mesma empreiteira. Dois anos depois foi sumariamente demitido por participar de movimento sindical. Conseguiu ser aprovado no primeiro vestibular da UNIFAP. Em 1995 nasceu Ádila Caroline, a segunda filha. Nesse mesmo ano concluiu o curso de Licenciatura Plena em Letras e foi escolhido para dar nome a essa primeira turma em solenidade realizada no Teatro das Bacabeiras. Paulo Tarso Barros é membro da UBE - União Brasileira de Escritores, da Associação Amapaense de Escritores e da Academia Arariense-Vitoriense de Letras e já participou como membro titular do Conselho Estadual de Cultura do Amapá, foi assessor de juventude e faz parte do júri nacional do Prêmio Multicultural O Estadão, de São Paulo. Também participou do Projeto Rumos Itaú Cultural 2004 em Macapá. Muitos trabalhos seus já receberam premiação e reconhecimento, tanto por parte da crítica como de professores. Os contos O Benzedor de Espingarda, A Usina e O Guarda Municipal e a Prisão de Feição de Onça foram escolhidos por várias vezes como leitura dos vestibulares da UNIFAP e de outras universidades. O Benzedor também foi adaptado para o teatro. Freqüentemente seus textos são publicados nos jornais de Macapá, onde ele sempre faz questão de divulgar os escritores da terra.
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